QUANDO PENSO NA MORTE
Quando penso na morte, tento imaginar como será a minha. Será que vou sentir dor, será que vou sofrer, ou será que vou dormir, me anestesiar e apagar, como uma energia que acaba de repente? Existem muitos conceitos do que há depois da morte. Qual será o certo? Afinal, não me lembro de ter morrido outras vezes, não me lembro de outras vidas, de outras passagens, de outro começo. Isso tudo parece muito estranho, mas quem nunca pensou nisso?
Temos medo de morrer antes de realizarmos nossos desejos, concretizar os planos, criar nossos filhos, antes de conhecermos nossos netos, antes de voltar a falar com aquela pessoa que não falamos há tempos, antes de dizermos obrigada para um grande favor que nos fizeram, antes de aproveitar tudo. Pensamos em como nossos entes queridos sentirão nossa falta, como eles poderão sofrer, como eles vão ficar, principalmente se tivermos alguém que depende muito de nós. Realmente a vida é muito curta e quando paramos pra pensar que estamos sujeitos a morrer em qualquer hora, em qualquer dia, em qualquer segundo, vemos o quanto é valioso poder estar vivo e com saúde. É valioso cada momento de nossas vidas, cada palavra, cada imagem, cada esforço para qualquer desejo. Tudo o que temos é o agora. Fazemos planos, porque podemos criar nosso futuro baseado nas nossas metas e desejos. No entanto, o futuro é algo abstrato e imprevisível. O agora, não. Ele é real, ele é o que está acontecendo independente de planos. Agora estou escrevendo, mas não sei o que eu estarei fazendo, daqui a pouco. Pretendo ir para minha casa, mas pode acontecer algum imprevisto, o ônibus pode enguiçar e eu chegar duas horas depois do que eu planejava, posso encontrar com alguém que não vejo há muito tempo e parar para tomar um café, tudo pode acontecer. Enfim, somos imprevisíveis, ou melhor, a vida é imprevisível e não podemos controlá-la inteiramente. Podemos fingir que temos controle sobre ela, mas não é bem assim que as coisas funcionam. Somos interrompidos às vezes por um bendito telefonema, e já era aquele planejamento que fizemos há dias.
Assim vamos vivendo, aprendendo, errando, corrigindo (ou tentando corrigir), curtindo, até que um dia a morte na certa nos virá. Virá para todos; sejamos pobres, ricos, negros, brancos, bonitos, feios, novos, velhos. Morreremos um dia. E quando você estiver em outro plano (se houver), não adianta dizer que não curtiu, não viveu, não conseguiu, porque tivemos a oportunidade. Tivemos a vida em nossas mãos e se não aproveitamos, isso foi um mero descuido e uma total ignorância dos fatos.
Lybia de Oliveira

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