ESTAR APAIXONADO

Hoje estive conversando com uma pessoa, muito querida, que disse não gostar de paixão porque a faz sofrer. Mas tal afirmação me fez pensar: será que ela sofre por uma paixão ou por que se apaixonou?

Eu, particularmente, adoro estar apaixonada. Sou apaixonada pela paixão porque tudo se torna mais intenso. 
Não há como se apaixonar várias vezes pela mesma pessoa, portanto eu me dedico e me entrego totalmente a cada nova paixão. É mais gostoso quando nos mostramos solícitos ao destino.
O que adianta cuidar-se para não sofrer no futuro e sofrer por não curtir o presente? O sofrimento faz parte da vida e da nossa evolução. Não tem lógica privarmos nossos corações para evitarmos um possível sofrimento no futuro. Isso é loucura!

Adoro ouvir uma música, sentir um cheiro ou estar em um lugar que me faz lembrar alguma paixão. E eu me recordo das coisas boas e dos momentos felizes que pude usufruir ao seu lado. É impossível prever o futuro e evitar sentimentos. Cabe a nós, sentirmos prazer e aproveitarmos as coisas boas que ficam.
Como é bom ter uma pessoa da qual podemos nos lembrar, sentir saudades, uma pessoa que outrora dedicamos o nosso carinho, a nossa atenção, tempo e prazer! É gostoso ter afinidades com alguém, ir ao cinema juntos, ir à praia, almoçar e rir de qualquer besteira. Virar criança, “viajar na maionese”, sem criar expectativas. É maravilhoso inventar várias formas de dar e receber prazer, colocar em dia sua criatividade para um relacionamento cheio de surpresas e pensar no dia de ontem dando gargalhadas pela rua.
A paixão nos motiva, transforma, enriquece, salva e nos faz sentir vivos.
Se a paixão acabar e o relacionamento não se consolidar, paciência! Mas não dá pra negar os momentos bons e o quanto se foi feliz. Entregue-se!
E aquele papo “cuidado para não cair do cavalo”, esqueça! Se cair, monte no próximo que vier e seja feliz!
Enquanto alguns têm medo de virar a página, eu vou montando a minha coleção de livros, na estante da felicidade. Se pensarmos bem, apaixonar-se é um grande privilégio.


Lybia de Oliveira

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