PROFISSIONALISMO NA ARTE

Talvez eu não seja a pessoa mais apropriada para definir arte, mas de acordo com o seu significado, trata-se de uma atividade humana ligada às manifestações por meio das mais diversas linguagens, é um processo criativo de demonstrar ideias e emoções. Pois bem, se é uma atividade humana que expressa sentimentos e ideias, cabe ao autor dar à sua obra significados, ou não; transparecer suas emoções e interpretações. Talvez o leitor ou o expectador não entenda ou interprete da mesma forma, porque os sentimentos são únicos e ninguém consegue traduzir isso.  Podemos analisar uma obra e dar nossos “pitacos” de acordo com a forma que aquela obra se introduziu no nosso coração, levantando interpretações que podem estar totalmente ligadas ao nosso estado de espírito, ao momento, ou que nos remete às fases de nossa vida. Fazemos a leitura da arte de acordo com a nossa sensibilidade e nem sempre está conectada à sensibilidade do autor. O que parece um simples rabisco para uns, possui um vasto significado para outros.
De acordo com esta ideia, a arte, quase sempre, é despretensiosa. Precisa de um impulso no ápice da sua inspiração para criá-la. Se pensarmos em técnicas, cartilhas e manuais de arte, estamos sendo incoerentes. Não há manual para coisas vindas do coração, não há o “como fazer” quando se trata de sentimentos e liberdade de se expressar. Se um artista cria sua obra baseado em técnicas pré-definidas isso não se chama arte e sim, uma criação estritamente profissional.
O artista que comercializa suas obras pode, e até deve, ser profissional quanto ao ato de publicar, comercializar e propagar. No entanto, em minha opinião, não acho que um artista deva fazer isso sozinho. Deveria apenas se concentrar em suas obras, deixando que outros cuidem dessa parte, para não dar asas ao sentimento de empreendedorismo, ofuscando a sua sensibilidade e o verdadeiro impacto que a obra deveria causar.
A arte precisa fluir de acordo com as emoções e sentimentos, e isso é muito abstrato. Não pode ter prazos e pressões. O artista não pode fazer algo pensando no lucro. Isso não é arte é exposição de um conjunto de técnicas, dirigidas profissionalmente para fins lucrativos.
A beleza está justamente no sentimento e nas emoções que exalam de uma obra. Não de suas técnicas e teorias. Se no ponto máximo da sua inspiração algo foi criado e, após terminá-lo sofreu modificações e alterações para ficar de acordo com as técnicas pré-estabelecidas, perdeu-se a essência da arte. Você amputou os sentimentos que o levou àquela primeira criação. Se for assim, considero os rascunhos mais valorosos que a obra final.

Lybia de Oliveira

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